Brasil

Bolsonaro descarta confinamento nacional recomendado por especialistas

O presidente Jair Bolsonaro descartou nesta quarta-feira(7) um confinamento nacional exigido por vários especialistas devido aos níveis críticos de infecções e mortes na segunda onda da pandemia no país.

“Não vai ter lockdown nacional” ou “política de fique em casa, feche tudo”, declarou em ato oficial em Chapecó, Santa Catarina, o presidente, que se opõe a medidas de isolamento social, nacional, regional ou local, alegando seu impacto econômico negativo.

A questão voltou com força depois que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recomendou o “remédio amargo” do confinamento para “evitar mais mortes”.

“As medidas de bloqueio (lockdown) constituem um remédio amargo, mas que são absolutamente necessárias em momentos de crise e colapso do sistema”, afirmou a instituição, ligada ao Ministério da Saúde, em Boletim Extraordinário publicado na terça-feira.

A ocupação dos leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) está em “níveis críticos” em 24 dos 26 estados e o Distrito Federal, de acordo o relatório.

O Brasil registrou 3.829 mortes por covid-19 nesta quarta-feira, um dia depois de bater o recorde de 4.195 mortes em apenas 24 horas.

Segundo no mundo depois dos Estados Unidos, o país, com 212 milhões de habitantes, já ultrapassa 340 mil mortes.

Março foi o mês com o maior número de óbitos no Brasil (66.573) e nos primeiros sete dias de abril foram registrados mais de 19 mil falecimentos.

“Morre gente em todo lugar”
“Todos nós somos responsáveis pelo que acontece no Brasil. Em qual país do mundo não morre gente? Infelizmente, morre em tudo que é lugar. Queremos é minimizar esse problema”, disse Bolsonaro em outra solenidade oficial em Foz do Iguaçu, horas depois.

“Não vamos chorar o leite derramado. Estamos passando ainda por uma pandemia que, em parte, é usada politicamente não para derrotar o vírus, mas para tentar derrubar o presidente”, acrescentou.

Enquanto especialistas insistem na necessidade de acelerar a vacinação (que enfrenta dificuldades no abastecimento e cobriu 10% da população com a primeira dose), Bolsonaro criticou o que considera um “foco excessivo” da imprensa nas vacinas.

“Tenho certeza que brevemente será apresentado ao mundo um remédio para cura da covid. É tanto foco apenas na vacina, de 10 a 20 dólares a unidade. Queremos a vacina? Passando pela Anvisa, sim. Mas também buscar o remédio para cura e não demonizar medicamentos que o médico receite no final da linha”, se defendeu o presidente, referindo-se aos remédios sem evidências científicas contra o coronavírus que já promoveu em diversas ocasiões.

O pesquisador da Fiocruz Christovam Barcellos argumenta que o Brasil precisa, “ao mesmo tempo em que se implementa essa medida de confinamento [preconizada pelo Boletim], ajudar as pessoas com apoio psicológico, dinheiro, comida” a passar pela “fase muito difícil” que se aproxima.

Durante grande parte de 2020, dezenas de milhões de brasileiros sobreviveram graças a depósitos mensais, que deixaram as finanças do país em dificuldades.

Depois de suspender a ajuda financeira por três meses, o governo retomou os auxílios em abril, embora tenha reduzido seu valor e o número de beneficiários.

Enquanto isso, o nível de desemprego atingiu o nível mais alto, com mais de 14 milhões de pessoas procurando trabalho.

por AFP

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