Economia

Paulo Guedes : o “Caco Antibes”

Envolto no imbróglio do Pandora Papers, que expôs figurões do mundo inteiro com parte das fortunas em offshores, o ministro Paulo Guedes (Economia) parece padecer da “síndrome de Caco Antibes”. O personagem do extinto programa humorístico “Sai de baixo” era interpretado por Miguel Falabella e se notabilizou pelo desprezo a pobres.

Durante sua gestão, Guedes deu várias declarações menosprezando os mais necessitados, chegando a criticar a ida de empregadas domésticas à Disneylândia no passado, quando o dólar não atingia R$ 2. Em outro momento, reclamou do Fies – programa de fomento ao ensino superior – por levar “até filho de porteiro” à universidade.

Sua ojeriza não se restringe aos pobres: se estende à própria economia brasileira. Embora não seja surpreendente, pela posição que ocupa, causa espécie que conserve dinheiro em paraísos fiscais, fugindo da tributação nacional, o que nem a classe média tem chance de fazer. 

Mesmo não sendo ilegal, sua atitude passa a impressão de haver algum receio acerca da estabilidade financeira do país. Isso gera desconfiança nos cidadãos e no mercado. Se o responsável por tocar nossa economia não acredita nela, por que devemos confiar? O caso gerou ao ministro uma convocação na Câmara dos Deputados.

Pela revelação do Poder360 e de outros veículos que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, a filha e a esposa do ministro seguiram no comando da offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Se for comprovado algum investimento após Paulo Guedes assumir o Ministério da Economia, isso agrava sua situação.

Em entrevista concedida à CNN Internacional, na última terça-feira (12), Guedes foi questionado sobre o assunto e negou irregularidades. Ao ser perguntado sobre a condução do Governo Federal quanto à crise sanitária, respondeu que o Brasil praticou distanciamento social e incentivou a vacinação, exatamente o oposto do que o chefe negacionista dele faz até hoje. 

Ao defender os imunizantes, o ministro ocultou a difusão do chamado tratamento precoce, que tem o presidente como o maior propagador e que se revelou absolutamente ineficaz no enfrentamento à Covid-19. Paulo Guedes também esqueceu de mencionar o corte de mais de R$ 600 milhões de recursos para a Ciência, solicitado por ele ao Congresso.

O colega Marcos Pontes, titular da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovações, classificou a medida como “falta de consideração”. A redução de quase 90% do orçamento deste ministério vai impactar o Centro Nacional de Vacinas, na UFMG, por exemplo. Além de horror a pobre e ao funcionalismo público, Guedes demonstra ter pavor ao conhecimento, que se revelou tão essencial em um cenário pandêmico.

Do Blog do Magno

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *