O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o discurso contra o feminicídio ao comentar casos recentes de mortes e tentativas de mortes de mulheres no Brasil. Emocionado, o presidente questionou as penas aplicadas aos agressores. A fala foi dada durante evento na Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, no Grande Recife. Lula citou, entre os episódios mais recentes, o crime ocorrido no Recife, na comunidade do Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Tet (MUST) na Caxangá, onde um homem matou a mulher e seus quatro filhos incendiando a própria casa. Segundo ele, o apelo foi feito pela primeira-dama, Janja da Silva, que chorou diversas vezes ao saber das recorrentes notícias de violência contra mulheres. “O que está acontecendo na cabeça desse animal que é tido como a espécie mais inteligente do planeta para tanta violência?”, questionou o presidente.
Lula afirmou ainda que Janja pediu, durante o voo para Pernambuco, que ele assuma “uma luta mais dura” contra a violência de gênero. O presidente lembrou que foi criado por uma mulher analfabeta, sua mãe Dona Lindu, que sempre o ensinou a nunca levantar a mão contra uma mulher. “Se você casar e não estiver bem, separe. Mas nunca bata na sua mulher”, disse Lula, emocionado enquanto reforçava a necessidade de uma resposta firme do Estado.
O presidente já adotou medidas em relação ao tema, como a lei sancionada em outubro do ano passado, que aumentou a pena máxima por feminicídio de 30 para 40 anos, e ainda proibiu condenados por violência contra mulheres de exercerem cargos públicos. Lula classificou como inaceitáveis os números registrados no país. No ano passado, foram registrados mais de 1.200 feminicídios no Brasil, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), e afirmou que o país precisa avançar ainda mais. “É preciso responsabilizar e punir com rigor, porque nenhuma mulher pode viver com medo”, declarou.
Da CBN
