Prefeitos da região do Pajeú estão demonstrando preocupação com os altos valores cobrados por artistas e produtoras para as festas juninas. Segundo os gestores, os cachês elevados colocam em risco a realização dos festejos, especialmente nos municípios de pequeno porte.
A discussão ganhou força após declaração do presidente do CIMPAJEÚ (Consórcio de Integração dos Municípios do Pajeú) e prefeito de Ingazeira, Luciano Torres (PSB). O consórcio representa 17 municípios do Pajeú e outros quatro da região do Moxotó. Em entrevista concedida ao radialista Marcello Patriota, no programa Giro Pelos Blogs, da Rádio Cultura FM 94,7, de São José do Egito, na manhã desta terça-feira (27), Luciano manifestou preocupação com a disparidade nos valores cobrados e com o aumento dos custos de estrutura, como palcos, sonorização e iluminação.
“A criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais. Precisamos, e já estamos articulando com o presidente da Amupe, Marcelo Gouveia, uma reunião com o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que está na hora de tabelar”, afirmou Luciano.
O prefeito de Brejinho, Gilson Bento, reforçou que a preocupação é compartilhada por um grupo expressivo de gestores. Segundo ele, cerca de 115 prefeitos em Pernambuco já discutem o tema e defendem a adoção de critérios mais claros.
“Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município conseguirá ter condições de realizar o São João. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar cerca de 50%. Antigamente, com R$ 300 mil você fazia uma boa festa junina. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, pontuou um gestor, sob reserva.
Os prefeitos destacam que a discussão não representa um embate com artistas ou produtoras, mas uma preocupação com a capacidade financeira das prefeituras. Para eles, os preços praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, distante dos indicadores econômicos tradicionais.
Nos bastidores do entretenimento nordestino, o alerta já é antigo. Gestores afirmam que o modelo atual se tornou insustentável e que os primeiros impactos já começam a ser sentidos, inclusive com redução de dias de festa ou cancelamento de eventos tradicionais.
Cachês projetados para o São João de 2026
Segundo informações do site GS News, os valores médios praticados atualmente são:
Wesley Safadão – R$ 1,5 milhão
Luan Santana – R$ 1,2 milhão
Simone Mendes – R$ 900 mil
Nattan – R$ 900 mil
Natanzinho Lima – R$ 850 mil
Xand Avião – entre R$ 750 mil e R$ 800 mil
Calcinha Preta – R$ 650 mil
Prefeitos afirmam que, nessas condições, os cachês podem inviabilizar a realização das festas tradicionais.
“A maioria dos artistas está cobrando em eventos valores acima do mercado para festas de prefeitura. A conta simplesmente não fecha mais. E tem outro detalhe: o imposto que as bandas repassam no cachê acaba ficando para o município pagar”, relatou um gestor.
Do Junior Campos
