Polícia

Como funcionava o esquema que envolvia 3 servidores do TJPE e mais três pessoas no Sertão; mais de R$ 6 milhões foram desviados

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) detalhou, na quinta-feira (25), como funcionava o esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro envolvendo servidores do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Três funcionários do Judiciário e outras três pessoas foram presos na Operação Themis, deflagrada pela pela Delegacia de Repressão a Corrupção e ao Crime Organizado (Deccor), onde foram cumpridos mandados de prisão preventiva em Pernambuco e na Paraíba.

Os servidores, sendo dois homens e uma mulher, foram autuados por peculato, comunicação falsa de crime, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O esquema consistia em desvio de recursos de indenizações em processos cíveis que tramitam na Vara Cível da Capital, depositados em juízo.

Os desvios eram de valores entre R$ 10 mil, R$ 50 mill, R$ 100 mil e em alguns casos, chegou até ser desviado mais de R$ 200 mil.

O líder da quadrilha foi identificado pela polícia como analista da corte e era chefe de secretaria da vara onde os processos cíveis foram alvos do esquema criminoso. Segundo o delegado Breno Maia, responsável pelo inquérito, esse servidor já era alvo de processos administrativos do TJPE e foi demitido da corte.

Ele foi preso em casa, no município de Gravatá.

Já o braço direito da quadrilha atuava como técnico do judiciário e também respondia a processos internos na corte por conduta fraudulenta. Ele foi preso em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, onde morava e trabalhava de forma remota.

Já a servidora envolvida no esquema, que é ex-esposa do líder da quadrilha, também atuava como técnica do TJPE e foi presa em casa, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela não respondia a processos administrativos da corte. Na casa dela, foram apreendidos diversos acessórios de luxo, como relógios, joias, aneis, e entre outros objetos. A polícia identificou que o patrimônio da suspeita era incompatível com os vencimentos que ela recebia pelos trabalhos prestados como técnica do judiciário.

Os dois servidores presos eram lotados do Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra, na área Central do Recife.

Já a servidora presa era lotada do Fórum Paula Batista, no bairro de Santo Antônio, também na área Central da capital.

Uso de certificado digital

Os envolvidos usavam o certificado digital, conhecido juridicamente como “token”, de uma juíza aposentada do judiciário para emitir alvarás em nome dos demais três suspeitos de integrar a célula criminosa.

Segundo o delegado Breno Maia, a magistrada prestou depoimento e alegou que não tinha conhecimento do esquema e que o certificado foi usado sem o consentimento dela.

“Agora, vamos investigar o porquê o token da magistrada ainda estava ativo. Mas, já garantimos que ela não tem nenhum envolvimento no esquema criminoso”, destacou o investigador.

Em coletiva de imprensa realizada na sede da Polícia Civil, no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, foi divulgado que cerca de R$ 6,4 milhões foram desviados com as ações da quadrilha.

Segundo a corporação, o esquema funcionava desde o fim o ano de 2019. Do montante rastreado pela polícia, foram identificados R$ 5,3 milhões em transações.

Além disso, a quadrilha lavava dinheiro com a compra e revenda de carros de luxo, além de acessórios e outros tipos de transações.

Operação

Segundo a polícia, sete mandados de prisão foram remetidos à Justiça e expedidos, sendo seis deles cumpridos. Um dos suspeitos ainda está foragido.

No total, três dos envolvidos eram servidores, e outros três eram pessoas desempregadas e que foram beneficiadas com os recursos desviados.

Depois dos desvios, parte dos recursos voltavam para os servidores do TJPE.

Como funcionava o esquema

O crime consistia em desvio de quantias de processos cíveis. O dinheiro das indenizações eram depositados na conta do juízo, então o líder do esquema emitia alvarás e desviava o dinheiro para outros integrantes do esquema.

Segundo a polícia, todos os três servidores prestaram depoimento e decidiram ficar em silêncio.

Ainda segundo a corporação, o líder gastou R$ 12 milhões na compra de veículos de luxo. Diante disso, segundo o delegado Breno Maia, as investigações continuam para identificar se a quadrilha também atuava em outras vertentes criminosas.

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