A xilogravura vinculada à literatura de cordel pode ser reconhecida como manifestação da cultura nacional. É o que propõe a senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, num projeto de lei que acaba de ser apresentado.
O texto reconhece formalmente que o cordel e a xilogravura são indissociáveis, e portanto devem ser entendidos como uma mesma manifestação cultural. O objetivo da senadora é a garantia dos direitos autorais e a inclusão dos xilógrafos em políticas públicas.
Eu apresentei esse projeto de lei com muita alegria. Xilogravura e Literatura de Cordel constituem dois dos pilares mais expressivos, complexos e simbióticos da identidade cultural brasileira, notadamente enraizados na região Nordeste, mas com profunda capilaridade em todo o território nacional. A xilogravura é a técnica de gravar imagens em matrizes de madeira, amplamente usada no Nordeste do país para ilustrar folhetos poéticos vendidos e performados em feiras livres – os cordéis.
Algumas dessas xilogravuras, como as do mestre xilógrafo J. Borges, compõem o acervo de importantes museus de arte moderna no mundo. A Literatura de Cordel foi declarada oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro em 2018. O projeto que reconhece como manifestação da cultura nacional a xilogravura dessas publicações está sendo analisado pela Comissão de Educação e Cultura. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.
