Um incêndio em um apartamento localizado no bairro Santana, Zona Norte do Recife, matou duas pessoas e três cachorros na madrugada desta terça-feira (21). As chamas começaram por volta da meia-noite, no apartamento 304 do Edifício Vivenda de Casa Forte.
Segundo informações de testemunhas, as vítimas foram identificadas como Hannah Cauás, de 17 anos, e Gustavo Cauás, 50. Este é o tio dela, que tentou salvá-la. Segundo a Polícia Civil, as causas do incêndio ainda estão sendo investigadas pela Delegacia de Casa Amarela.
O corretor Marcos Eugênio, de 51 anos, também tentou entrar em socorro das vítimas. Ele mora no terceiro andar, o mesmo onde ocorreu a tragédia. Marcos soube do incêndio quando estava conversando com vizinhos, no térreo. Ainda na manhã desta terça, é perceptível o cheiro de fumaça na Rua Samuel Farias.
“Outros vizinhos do prédio ao lado estavam na piscina e viram fumaça saindo. Corremos para ver e eu vi que era no terceiro andar. O porteiro e eu fomos lá para cima, avisar para o pessoal sair e retirar o povo que estava no 304. Tirei minha mãe do terceiro andar, porque tinha muita fumaça”, comentou.
Marcos afirmou que bateu na porta do apartamento 304 para ajudar no resgate dos moradores. Um médico legista, pai da adolescente que morreu, estava saindo do local, já desnorteado.
“Eu perguntei se tinha alguém e ele disse que a menina estava no quarto. Ele ia voltar para buscá-la. Eu disse: ‘não. Saia que a gente vai tirar ela’. Quando eu abri a porta e pedi para ele sair, veio a primeira explosão. Acho que era gás. O teto caiu. Eu estava descalço, porque perdi a sandália na escadaria. Peguei uma toalha molhada e coloquei na cabeça. Quando fui entrar, queimei meu pé e não consegui mais entrar”, relembrou.
Após sofrer a queimadura nos pés, o morador diz, ainda, que o tio da jovem, que morava no primeiro andar do prédio, subiu para tentar salvá-la. Antes, ele pegou a toalha da cabeça de Marcos para tentar entrar no imóvel.
“Quando eu voltei, ele já tinha entrado, e a gente ficou gritando. Eu estava esperando uma mangueira chegar, mas não saía água. Pegamos os extintores. Foram quase 15, de prédios vizinhos. Nada adiantou. Quando os extintores paravam, o fogo aumentava mais ainda. Chegou a queimar meus olhos, meus cabelos e meus pés. Era muito quente e eu não consegui entrar”, complementa.
“Eu sinto muito pela menina, pelo tio e pelos cachorros dela, aos quais era muito agarrada. O tio foi o verdadeiro herói que subiu, entrou para salvá-la e não conseguiu voltar. Isso é o que me entristece mais. Eu queria ter segurado ele, mas foi justamente na hora que eu saí para colocar o tênis. Quando eu vi, ele já estava dentro”, finalizou.
