Os advogados de Bolsonaro alegam que o magistrado não teria imparcialidade para atuar no caso. Segundo a defesa, o brigadeiro fez declarações públicas relacionadas ao julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) e manifestou apreço pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fatores que, na avaliação dos defensores, comprometeriam sua isenção para analisar o processo.
Ao rejeitar o pedido, Maria Elizabeth Rocha argumentou que os fatos apresentados não se enquadram nas hipóteses legais de suspeição previstas pela legislação. Diante da negativa, a defesa apresentou um agravo, recurso que agora será analisado pelo plenário do STM.
O processo contra Bolsonaro tramita na Justiça Militar como um desdobramento das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público Militar (MPM) solicitou que o STM avalie a eventual indignidade para o oficialato não apenas do ex-presidente, que é capitão reformado do Exército, mas também dos generais de quatro estrelas Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Caso a Corte conclua pela perda da patente militar, as consequências podem ser significativas. Entre elas está a interrupção dos salários dos militares condenados, com os valores sendo convertidos em pensão para dependentes, como esposa e filhas, em um mecanismo conhecido como “morte ficta”.
Além disso, uma eventual condenação pode resultar na perda do direito de cumprimento de pena em instalações militares. Nessa situação, os condenados seriam transferidos para unidades do sistema prisional comum.
A decisão do STM é aguardada com expectativa, uma vez que poderá estabelecer um marco importante sobre os desdobramentos militares das condenações envolvendo autoridades e oficiais de alta patente ligados aos atos investigados pela Justiça.
