A Câmara Municipal do Recife aprovou, na segunda-feira (15), uma moção de repúdio às declarações do deputado federal Luciano Bivar, que defendeu o extermínio de tubarões como resposta aos recentes ataques registrados no litoral de Pernambuco.
A iniciativa partiu do vereador Douglas Brito e foi aprovada por 15 votos favoráveis e cinco contrários durante a reunião plenária da Casa. A discussão mobilizou parlamentares de diferentes correntes políticas e expôs divergências sobre as estratégias para reduzir os riscos de novos incidentes envolvendo tubarões nas praias da Região Metropolitana do Recife.
Ao defender a moção, Douglas Brito afirmou que propostas voltadas à eliminação dos animais ignoram estudos científicos e não enfrentam as causas do problema.
“Defender a extinção de uma espécie não é solução, mas um erro. Os tubarões habitam os oceanos há mais de 400 milhões de anos e têm papel fundamental no equilíbrio do ecossistema marinho. São predadores de topo de cadeia e ajudam a controlar populações de diversas espécies, aumentando a saúde dos mares”, declarou.
Segundo o vereador, pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas apontam que os ataques registrados em Pernambuco estão relacionados a uma combinação de fatores ambientais e intervenções humanas no litoral. Para ele, o enfrentamento do problema deve ocorrer por meio de políticas públicas de prevenção, monitoramento e educação.
Nem todos os parlamentares concordaram com a moção. O vereador Thiago Medina defendeu a adoção da pesca controlada de tubarões como uma das alternativas para reduzir os riscos de ataques. “Não é um extermínio, não é a extinção. É fazer a pesca controlada. Isso aqui no Recife seria o melhor caminho”, afirmou.
O parlamentar argumentou que esse tipo de atividade pode ser regulamentado, com definição de períodos específicos para captura e restrições durante a reprodução dos animais.
Para Medina, os ataques também afetam a imagem turística da cidade. “Isso repercute internacionalmente. Por que você viria passar férias aqui se existe a possibilidade de morrer atacado por um tubarão? Você não vem. E se não vem, deixa de gerar riquezas para cá”, avaliou.
O posicionamento recebeu apoio do vereador Luiz Eustáquio, que lembrou a existência de programas anteriores de captura monitorada dos animais.
“Ela, inclusive, já aconteceu. Era feita e acompanhada pela própria Universidade. Foi suspensa, creio eu, em 2014. A gente deve continuar os estudos científicos, mas tem que fazer algo na prática. A gente tem que entender que hoje há um risco muito grande no Recife”, afirmou.
