Mesmo que tenha vivido nos Estados Unidos durante muitos anos, Moacir Santos nunca esqueceu sua terra natal. Sempre que tinha a oportunidade, o músico voltava para Flores, no Sertão do Pajeú, com a mala cheia de doces e instrumentos musicais para distribuir entre as crianças do município. Muitas delas ainda vivas, relembraram com carinho as visitas do maestro ao cineasta Tiago Martins Rêgo, que prepara um documentário sobre o artista, ainda sem previsão de lançamento. As lembranças evidenciam a relevância do músico entre seus conterrâneos e motivaram a realização da primeira edição do Festival Ouro Negro do Pajeú, que acontece na cidade neste sábado (25) para celebrar o centenário do artista.
“A gente percebe que as pessoas de mais idade lembram dele, reconhecem sua importância, mas o pessoal mais jovem ainda precisa conhecer mais sua obra”, explica Tiago, que produz o evento ao lado de Karina Zapata. Para mudar esse quadro, o realizador diz que foram planejadas algumas ações que buscam promover identificação entre as novas gerações e o músico, como o show “Flores toca Moacir”, que acontece às 15h, com sete músicos da cidade tocando releituras do repertório do homenageado. “A gente está bem emocionado e feliz com isso”, completa.
O restante da programação, que acontece na rua da Igreja Matriz de Flores, ainda conta com lançamentos de livros, sessão de cinema e mesa de improviso poético, sendo Moacir o tema de todas as atividades. Os encontros buscam resgatar as raízes do maestro, que o inspiraram durante toda sua carreira. “É nítida a influência do Sertão na música dele. Ele está na sonoridade, no nome das músicas, há várias referências. O Sertão é algo muito precioso na obra dele”, aponta Tiago.
O ponto alto são os shows que acontecem a partir das 20h, com diversas atrações da região, como os Aboios de Dayane Rocha e Jéssica Andrade, Banda Umburana de Cheiro e Cacá Malaquias & Família. O único representante do Recife é Lucas Prazeres que encerra o palco logo antes do parabéns coletivo programado para a meia-noite do dia 26, quando o maestro completaria cem anos, se vivo estivesse.
Veja a programação completa abaixo:
Tarde: Território, Cultura e Memória
15:00 | Feira de Gastronomia e Produtos Criativos + Intervenção Visual de Artistas Locais
15:00 – 16:00 | Flores toca Moacir Santos: Anderson Raniery (trompete), Amauri Silva (trompete), Felipe Silva (sax), Junior Batera (bateria) e Junior Mandu (trombone).
16:00 – 17:00 | Lançamento de Livros + Bate-papo com Autores + Sessão de Autógrafos:
– Livro “Rota Infinito: Moacir Santos e a composição autoral” (Prof. Sérgio Gaia).
– Cordel “A Peleja do Menino Pobre que virou Maestro” (Geraldo Euclides).
16:30 – 17:15 | Sessão de Cinema: Vida e Obra de Moacir Santos
– Exibição de documentários sobre Moacir Santos e temática musical.
Noite: Tradição, Reinvenção e Homenagens
19:00 – 20:15 | Mesa de Glosa: Mulheres de Repente
– Improviso poético de mulheres sertanejas sobre caminhos e legados de Moacir Santos.
20:15 – 21:00 | Cacá Malaquias & Família revisitam Petronilo Malaquias (Carnaíba).
21:00 – 21:20 | Declamação de Poesias: Laura Martins, Mª Cecília e Elenildo Ferreira (Flores).
21:20 – 22:00 | Quarteto Tromboneando e os Sons dos Canaviais (Zona da Mata Norte).
22:00 – 22:20 | Aboios de Dayane Rocha (Tabira) e Jéssica Andrade (Flores).
22:20 – 23:00 | Banda Umburana de Cheiro (Calumbi, Serra Talhada e Carnaíba).
23:00 – 23:20 | Declamação Poema Cântico Negro – paralelo com a vida de Moacir (Luís Venerré)
23:20 – 00:00 | Lucas dos Prazeres (Recife).
00:00 – 00:20 | Parabéns Coletivo ao Ouro Negro do Pajeú
– Entrega de placas aos amigos florenses.
– Bolo gigante com execução monumental de “Nanã”, obra-prima de Moacir Santos.
Foto Carlos Texeira/Acervo DP)
Do Diário de Pernambuco





