Brasil

Artistas e jornalistas que divulgam bets jogam imagem no lixo, diz pesquisa

Antes de emprestar rosto, voz e credibilidade a uma casa de apostas, artistas, atletas, jornalistas e influenciadores deveriam calcular não apenas o cachê, mas quanto da própria reputação será queimado. Pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec mostra que 40% dos brasileiros não confiam ou passam a confiar menos em quem anuncia bets.

Outros 51% avaliam negativamente essas personalidades, contra míseros 10% que as veem de forma positiva. O cachê pode ser gordo, mas vem acompanhado de uma injeção de Mounjaro na credibilidade.

O prejuízo cresce entre os públicos mais valorizados pelo mercado publicitário. Entre pessoas com ensino superior, 48% perdem confiança; entre famílias com renda acima de cinco salários mínimos, o índice chega a 46%.

Nesse grupo, 59% têm visão negativa dos garotos-propaganda. É o grande trade-off das bets: recebe-se dinheiro agora, mas desvaloriza-se o ativo que garante contratos amanhã. É como vender as telhas para pagar a balada e se espantar quando começa a chover dentro de casa.

Para jornalistas, o dano é ainda maior, pois confiança é matéria-prima. Transformá-la em cupom promocional não vira aceitável por ordem do patrão nem com o rodapé “jogue com responsabilidade”.

As bets podem comprar espaço, audiência e sorrisos. Não podem garantir que a reputação sobreviva. E descobrir que a imagem foi vendida barato costuma acontecer quando ninguém mais quer comprá-la.

   

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