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Mais de 500 municípios entram em alerta alto para risco de incêndios florestais até o mês de novembro

Mais de 500 municípios brasileiros estão sob “alerta alto” do governo federal para o risco de incêndios florestais até novembro. A previsão é de que a combinação entre estiagem prolongada, baixa umidade do ar e os efeitos do El Niño aumente a possibilidade de queimadas, principalmente na Região Norte.

Apesar das chuvas registradas de forma atípica em algumas áreas no início de setembro, o cenário projetado pelos meteorologistas não sofreu alterações significativas até o momento. As condições previstas para os próximos meses ainda podem manter o período entre os mais críticos do ano para a ocorrência e propagação do fogo.

Norte concentra áreas de maior risco

A Região Norte reúne a maior quantidade de municípios classificados no nível máximo de alerta. Parte do Centro-Oeste também está incluída entre as áreas consideradas de maior preocupação.

Um boletim divulgado em agosto aponta ainda que a classificação de “Atenção” possui ampla distribuição pelo país, alcançando 2.482 municípios.

Os níveis mais elevados de risco de fogo estão concentrados principalmente em Mato Grosso, sul do Amazonas, Pará e áreas próximas. No Sul do país, por outro lado, as condições são consideradas menos críticas.

Governo anuncia R$ 1,3 bilhão para prevenção e resposta

Diante do cenário de estiagem e do aumento do risco de incêndios, o governo federal anunciou, no fim de julho, um pacote de R$ 1,3 bilhão para ações de preparação e resposta aos efeitos do El Niño.

Desse montante, R$ 337 milhões correspondem a crédito extraordinário destinado à fiscalização ambiental, além de ações de prevenção e combate aos incêndios.

Outros R$ 521 milhões do Fundo Amazônia foram direcionados à aquisição de equipamentos para os Corpos de Bombeiros de estados que abrangem áreas da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.

Política de manejo integrado do fogo ainda enfrenta desafios

O período de estiagem também representa um teste para a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, criada pela Lei nº 14.944, de 2024.

A legislação estabelece responsabilidades para União, estados, Distrito Federal, municípios, sociedade civil e setor privado, além de criar instrumentos como os planos de manejo integrado do fogo e os programas de brigadas florestais.

Entretanto, um levantamento do Centro Brasil no Clima (CBC) aponta que apenas quatro unidades da Federação possuem planos de manejo integrado do fogo formalmente aprovados. Entre elas está Mato Grosso do Sul. O estudo também indica que somente oito estados possuem fundos climáticos estruturados.

O diagnóstico revela ainda que diversos estados continuam concentrando seus esforços principalmente na resposta às emergências, enquanto medidas permanentes de prevenção ainda enfrentam dificuldades para serem estruturadas.

Com a permanência da estiagem, das temperaturas elevadas e da baixa umidade em diferentes regiões, as autoridades reforçam a necessidade de ampliar ações preventivas e de combate às queimadas durante os próximos meses.

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