O fenômeno El Niño deve aumentar os desafios relacionados à segurança hídrica e à produção agrícola no Nordeste brasileiro nos próximos meses. A previsão consta na edição de outubro do boletim Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta sexta-feira (30), que aponta para a possibilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal em parte da região entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
O documento foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
De acordo com o levantamento, o Nordeste concentra atualmente a situação de seca mais grave do Brasil. Entre agosto e setembro, a área da região classificada com seca grave aumentou de 16% para 28%, ampliando as preocupações com a escassez de água e os prejuízos à agricultura familiar.
No semiárido nordestino, a previsão de chuvas abaixo da média representa um alerta para os produtores rurais. A redução das precipitações pode comprometer a disponibilidade de água para os rebanhos, diminuir a oferta de pastagem e aumentar a necessidade de irrigação, elevando os desafios para quem depende da agricultura e da pecuária.
O boletim também destaca que o El Niño foi identificado em junho deste ano e deverá alcançar intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. A expectativa é que os efeitos do fenômeno continuem influenciando as condições climáticas brasileiras pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
A previsão acende um sinal de alerta, especialmente para os municípios do Sertão nordestino, onde a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas podem ampliar as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e criadores de animais.
